Se eu fechar os olhos agora
Se eu fechar os olhos
agora, Edney Silvestre, Romance, 2009, Editora Record.
"Desde aquela época, venho buscando explicações para o sucesso do
livro", conta Silvestre. "Afinal, não se trata de um relato
histórico, nem policial, ou mesmo de um romance de formação, mas contém
ingredientes de todos esses gêneros."
O LIVRO
“Nada neste país é o que parece.” –Forte, não?
Já devo
começar parabenizando o autor e o romance, visto que em 2010, ambos ganharam o
prêmio jabuti de literatura na categoria romance. –Só escolho bons livros, né?
Sem catarse, sem post. – E olha que engraçado, ele ganhou do nosso digníssimo “Leite
Derramado, sim o do primeiro post!” Na verdade, concorriam naquela mesma
categoria, e o Jornalista Edney Silvestre ganhou a melhor sobre o Chico. E não
para por aí os prêmios dessa maravilhosa obra, em 2009, Se eu fechar os olhos agora, ganhou o Prêmio São Paulo de
Literatura! Mas vamos ao que nos importa a sinopse comentada:
Se eu
fechar os olhos agora, começa com esta exata frase. O que me deixou de celho
franzido, o título, a princípio, é tão sucinto e forte que me desorientou, confesso.
E ele vai fazendo cada vez mais sentido, ao decorrer da estória, sobretudo, ao
final dela. A primeira cena do livro, acontecida em um abril, no início da
tortuosa década de sessenta, é estrelada por dois garotos de doze anos que
fugiam da escola e... Um corpo. Encontram um corpo. Uma linda mulher, loira,
cruelmente assassinada próximo ao lado onde os garotos se banhavam
divertindo-se e discutindo sobre a ida do homem à Lua e coisas que estavam em
voga na época – Nisso, o livro também está de parabéns. Não sei se pelo autor
ser um jornalista, mas o conteúdo histórico que fica o tempo todo como pano de
fundo é magnífico – Os dois garotos, que a princípio são suspeitos, por terem
encontrado o corpo primeiro, sofrendo até sérias ameaças da polícia, veem outro
homem ser dito culpado. O marido da moça, um dentista. Sob o argumento de ter
agido por ciúme. Tudo isso se afigura estranho e demasiado repentino. Os
rapazes decidem investigar, e sem qualquer planejamento prévio, acabam
juntando-se a um velho de um asilo, velho este que tem um passado surpreendente
que envolve a ditadura militar, Getúlio Vargas.
Os
diálogos e os pensamentos, o próprio modo simples de a história ir seguindo são
um show de talento e leveza. Sim, há bastante leveza nas descrições. Nas
lembranças, e na amizade cúmplice dos garotos, que são tão diferentes entre si.
Os diálogos são simples ao ponto de nos deixar dar a ênfase, mas não fugindo do
que o autor quer que pensemos. A crítica social; as mazelas políticas; a forma
como o poder age; e a sujeira imunda que se esconde debaixo dos tapetes e é
esquecida nos dá um sabor de realidade brasileira que não desce bem pela boca.
Mas nos choca de modo que não há jeito de admirar pouco, a obra. Ama-se na
mesma forma que se odeia a hipocrisia do povo, as mentiras, falsas acusações,
perversões sexuais e a impunidade, o racismo e as ameaças, jogos de poder que
havia – e há, diga-se de passagem – nas cidades brasileiras, que fique claro,
não só no interior. Não só na década de sessenta.
É uma
grande discrepância que há, dentre a brutalidade dos fatos, a perspicácia das
conclusões que existem na investigação, e a inocência do crescimento dos
meninos. O autor transita por esses mundos tão comumente quanto um jornalista
fala sobre festa de natal e logo depois sobre soterramento. A precisão do
período histórico nos mostra a meticulosidade investigativa que houve
previamente, antes do romance ser escrito, - seis anos, para a conclusão da
obra-... E fica difícil, saber se neste volume é a arte quem imita a vida, ou
se é a vida quem está imitando a arte. É tão real que, que pode haver por aí
mais Ritas, mais Eduardos e Paulos. Mais Ubiratans. E há. O sabemos no profundo
de nós... Moças assassinadas e ninguém se importando, vítimas e ao mesmo modo,
vilões da política, mártires e garotos curiosos. Ao final das trezentas e
quatro páginas, dentre idas e vindas do tempo, o desfecho é tão tristemente
real quanto todo o romance em si.
Um livro emocionante, que merece estar aqui com a minha
singela recomendação! Digo até que pretendo ler outros livros do autor, assim
que a biblioteca da escola os disponibilizar.
O AUTOR
Fui
sincera na outra postagem como o serei nesta. Eu não conheço bem o trabalho do
autor, que além de escritor, ótimo romancista, é também um jornalista
reconhecido e admirado. Edney Silvestre Entre suas coberturas marcantes estão
os atentados às torres do World Trade Center, quando foi o primeiro jornalista
brasileiro a chegar ao local dos ataques; uma série de reportagens no Iraque; a
passagem de furacões na Flórida e na América Central. Está baseado no Rio, onde faz reportagens
para o Jornal Nacional, o Bom Dia Brasil e o Jornal da Globo. Tem uma coluna
semanal no RJTV e apresenta o programa Espaço Aberto Literatura, na Globonews.
Publicou os livros Dias de cachorro louco e Outros tempos, ambos de crônicas,
pela Record, e Contestadores, pela Francis. Está incluído nas coletâneas
Conversations with John Updike (University Press of Mississipi); As grandes entrevistas
de O Globo, Milênio e O livro das grandes reportagens (Globo). Se eu fechar os olhos agora terá
edições francesa e portuguesa, respectivamente pelas editoras Belfond e
Planeta. Então, vê-se que não estamos lidando com pouca coisa por aqui, eis
mais um gigante que temos o prazer de receber em nossa casa, e ler, página por
página.
“Sempre achei que escritores mentiam quando diziam que não
tinham controle sobre seus personagens. ‘Não é possível!’, eu pensava, mas é
assim mesmo, porque eu descobri que não se tem realmente controle”. –Edney Silvestre...
Pois é.
Fontes:. G1.globo.com
Record.com
Vermelho.org.com
Google imagens.

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